terça-feira, 10 de novembro de 2009

Deficiência Mental

Cheguei de uma visita de estudo com as minhas colegas e a professora de Necessidades Educativas Especiais. Fomos a uma instituição para pessoas com deficiências, problemas mentais e outros problemas associados. Era a instituição da cidade com os casos mais graves!!
Vimos de tudo um pouco. Desde aqueles muito simpáticos que queria sempre abraçar, beijar, estar por perto, até aos que são agressivos e tinham de ter vigilância, porque éramos muitas e podiam-se descontrolar.
Havia o caso de um moço que tinha sido abandonado em bebé num curral (ou algo parecido) mas ninguém sabia que ele existia! A mãe só o alimentava e ele cresceu como um animal... A mãe morreu e foi descoberto com 8 anos num estado horrível, que nem o cabelo e as unhas lhe deve ter cortado naquele tempo todo... Como parece que não tinha espaço para crescer as pernas atrofiaram... Não tem qualquer tipo de linguagem compreensível, só vocalizações e movimentos de auto-estimulação... Havia também uma menina sem globo ocular nos 2 olhos. Um senhor que já era Engenheiro Civil, teve um acidente de carro, perdeu maça cefálica e agora tem alternâncias em que por vezes tem consciência das coisas outras não... Eu achei um bocado estranho quando as minhas colegas foram ver uma parte das instalações mas eu fiquei para trás porque estavam a pintar e o cheiro era muito forte! Então dei-me conta que um dos moços autistas, o mais agressivo de todos que esteve a ser vigiado (e naquele momento não), estava a olhar para mim. Ficou alguns instantes a olhar-me nos olhos, o que achei bastante estranho porque os autistas não olham nos olhos, não nos encaram e não estabelecem contacto social! Às vezes ele desviava o olhar como se estivesse a pensar em alguma coisa mas depois voltava olhar para mim. Eu só lhe sorria, era a única coisa à qual ele não correspondia. Custou-me um bocado ver os deficientes mais profundos e ainda mais porque estavam todos juntos e nós éramos muitas! Eles começaram a ficar agitados... Mas acabaram por se acostumar com a nossa presença e a professora, como já os conhecia ia falando com eles.
Quando chegamos cá fora estava um ambiente muito diferente daquele inicial, cheio de expectativas, ansiedade, animação até. No fim o silêncio era grande. Algumas colegas choraram, outras tinham mesmo ar de incomodadas e de pena. Acho que todas saímos de lá com uma certa tristeza por ver pessoas assim. Uma das moças da instituição tinha um pai incrível, sempre presente e disposto a ajudar. Ele estava lá e falou connosco um bocado. Não sei se ela tem consciência que tem aquele pai, mas o pai tem pleno amor por ela.
No fundo são pessoas muito especiais e quem lida com eles também são muito especiais! São mais uns seres que Deus criou. Talvez muitas pessoas se perguntem "que Deus criaria filhos assim?!" mas isso já é assunto para outra altura... Por agora fico com esta mistura de alegria e tristeza no coração...

Luisinha


2 comentários:

teresa disse...

ai meu deus , meu deus ,,,
que deus os proteja e dê saude a todos , ãos que estão doentes , ãos que cuidam deles , ãos pais emfim a todos .
e para os pais , funcionários , e professores que tomam conta deles , que jesus lhes dê força e coragem para continuar ..

beijinhos luisinha , e força para ti também amiga .

Luisinha disse...

Obrigada amiga Teresa! Neles sei que Deus está sempre presente, já em nós, que temos livre arbítrio e consciência das escolhas que fazemos, temos de estar mais atentos para que não nos distanciemos de Deus!
Paz e Bem
Luisinha